Opinião
Dia internacional da síndrome de Down: acabem com os estereótipos
Por Isadora Borda Almeida da Silva
e Pedro E. Almeida da Silva
A frase da campanha de conscientização deste Dia Internacional da Síndrome de Down em 2024 é: "Acabem com os estereótipos". Após uma longa e trágica história de privações e tratamento desumano durante séculos, as pessoas com SD hoje são tratadas de forma mais igualitária e inclusiva. O aumento da visibilidade social, a inclusão educacional e as oportunidades no mercado de trabalho resultam na melhoria da qualidade de vida dessas pessoas, promovendo a autoestima e a autonomia.
Em relação à educação é necessário investir na capacitação dos profissionais da educação, adaptar currículos e, principalmente, promover uma cultura que celebre a diversidade e valorize as habilidades únicas de cada indivíduo, reduzindo estereótipos e tratamentos sociais inadequados.
Muitos estudantes com SD não concluem o ensino fundamental, menos ainda o ensino médio, e pode-se dizer que, excepcionalmente, alguns ingressam na universidade. As barreiras são diversas, no processo seletivo das Instituições Federais de Educação, por exemplo, os candidatos com SD são selecionados com os mesmos instrumentos de avaliação utilizados para todos os candidatos, criando, obviamente, obstáculos e constrangimentos que impedem a equidade e agridem o respeito à diversidade.
Em relação à promoção a saúde, é importante considerar um conjunto de alterações fisiológicas associadas à SD, as quais devem ser diagnosticadas e tratadas precocemente, não apenas para evitar o agravamento de uma eventual disfunção clínica, mas também para promover o estímulo precoce, mitigando dificuldades como, por exemplo, aquelas relacionadas à fala e à coordenação motora. As Diretrizes de Atenção à Saúde da Pessoa com Síndrome de Down, adotadas há 12 anos pelo Ministério da Saúde, ainda têm sua abrangência limitada como política pública. Apesar dessas restrições, os avanços em relação aos cuidados das pessoas com SD resultaram em um significativo aumento da expectativa de vida dessa população, o que, por sua vez, determina desafios relacionados à promoção de saúde em adultos e, particularmente, em idosos com SD.
Por fim, a inclusão social de qualquer indivíduo adulto não se completa sem a oportunidade de exercer uma atividade laboral. Algumas empresas e ONGs, juntamente com políticas públicas de cotas, têm ampliado a empregabilidade dessa população. Entretanto, ainda resta muito por fazer. Faltam mais incentivos públicos e, particularmente, uma melhor compreensão dos empresários quanto ao seu papel fundamental na construção de uma sociedade inclusiva e no favorecimento da assimilação da diversidade.
A trissomia do cromossoma 21 não torna todas as pessoas com síndrome de Down iguais. Como todos os indivíduos, elas são únicas, com seus talentos e limitações, direitos e deveres, alegrias e tristezas. Devemos tratá-las como indivíduos completos, valorizando e estimulando a sua singularidade. Elas querem apenas isso. Devemos, definitivamente, acabar com os estereótipos!
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